Início de ano é, tradicionalmente, o momento em que o empreendedor renova metas e projeta investimentos. No entanto, especialistas alertam que o planejamento para o novo ciclo pode ser seriamente comprometido se as pendências do ano anterior não forem revisadas.
Falhas fiscais, contábeis e trabalhistas acumuladas funcionam como um freio invisível, capaz de bloquear a emissão de notas fiscais, impedir o acesso a crédito e gerar multas que pesam no fluxo de caixa.
Muitos empresários só percebem o tamanho do problema quando enfrentam barreiras operacionais, como a impossibilidade de emitir uma Certidão Negativa de Débitos (CND) ou a suspensão da Inscrição Estadual.
Esses gargalos surgem por diversos motivos, desde o crescimento acelerado sem a devida organização até o desconhecimento das mudanças constantes na legislação tributária brasileira.
Os riscos ocultos nas obrigações fiscais e tributárias
As pendências fiscais figuram entre as mais perigosas, pois os sistemas da Receita Federal e do e-CAC realizam cruzamentos de dados automáticos. O esquecimento da entrega de obrigações acessórias, como a DEFIS para empresas do Simples Nacional ou a DCTF mensal, gera multas imediatas.
Além disso, impostos em atraso, como o DAS, ICMS e ISS, sofrem juros progressivos e podem levar a empresa à dívida ativa, resultando em bloqueios judiciais.
No campo contábil, o problema costuma ser silencioso. A ausência de escrituração do Livro Diário ou a falta de conciliação bancária mensal impedem que a empresa comprove seu faturamento real.
Para bancos e investidores, uma contabilidade desatualizada é sinal de alto risco, o que fecha portas para financiamentos e parcerias estratégicas.
O fator humano e o impacto no eSocial
A gestão de pessoas também exige atenção redobrada neste início de ano. Irregularidades no envio de dados ao eSocial — como atrasos em registros de admissão, rescisões ou encargos de INSS e FGTS — podem resultar em penalidades severas, que em alguns casos ultrapassam a marca de R$ 40 mil.
Mais do que a multa administrativa, o passivo trabalhista gerado por essas falhas aumenta consideravelmente o risco de ações judiciais que podem desestabilizar o negócio a longo prazo.
Inconsistências cadastrais
Outro ponto frequentemente negligenciado é a atualização cadastral. Mudanças de endereço não informadas, CNAEs (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) defasados ou alvarás vencidos são entraves que podem causar o desenquadramento do Simples Nacional.
Nestes casos, a empresa é obrigada a migrar para regimes tributários mais onerosos, elevando bruscamente seus custos operacionais por uma falha puramente burocrática.
Estratégias para uma gestão preventiva em 2026
Para evitar que o “efeito cascata” das pendências comprometa o faturamento, o primeiro passo é um diagnóstico completo. Consultar a situação fiscal junto aos órgãos federais, estaduais e municipais permite identificar o que pode ser parcelado ou regularizado antes que se torne uma autuação.
A prevenção para o restante do ano de 2026 passa pela adoção de rotinas rígidas: conferência semanal de notas fiscais, monitoramento da agenda tributária e fechamento contábil mensal.
Nesse contexto, o suporte de contabilidades modernas e digitais tem se mostrado um diferencial competitivo, oferecendo monitoramento em tempo real e alertas de prazos que protegem o CNPJ e permitem que o empreendedor foque no que realmente importa: a expansão de seus negócios.
Fonte: Jornal Contábil
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